A crítica da Sofia Teixeira sobre 'Criaturas Maravilhosas'

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Esta é a crítica da Sofia Teixeira do blog Morrighan:


Criaturas Maravilhosas é uma obra fascinante, diferente e original. As autoras Kami Garcia e Margaret Stohl construiram um mundo singular, com uma mistura, organizada, de vários elementos fantásticos, inserindo-se entre o género "dark-fantasy" e "romance sobrenatural".

Quase todos os dias Ethan Wate acorda ou todo molhado, ou cheio de terra ou até completamente a transpirar. Sonha sem cessar com uma rapariga que não consegue salvar, que lhe escapa pelos dedos, mas nem o seu rosto consegue ver. Ele tem uma certeza, não consegue parar de pensar nela. Quão louco é isso?


Até que Lena Beana se cruza com ele. Lena Beana é uma rapariga que à partida parece uma excêntrica. Veste-se mal, nunca teve muito tempo na mesma escola e logo na aula de Inglês, em que ninguém se senta nas primeiras três filas, ela senta-se na primeira. Os seus colegas não tardaram a fazer-lhe a vida negra. Apenas Ethan estava disposto a dar-lhe uma oportunidade. A partir daquele momento, nada será como antes. Lena vê o seu 16º aniversário a aproximar-se a uma velocidade alucinante e não deixa que ninguém se relacione com ela por causa disso. Que tanto teme Lena? Bem, isso fica para vocês, leitores, descobrirem.

Uma das coisas que mais me fascinou desde o início, foi o facto de a estória nos ser contada pela prespectiva de uma personagem masculina. Ethan é o narrador e neste aspecto, as autoras foram genuinamente boas. Gostei de estar na cabeça do Ethan, para variar ao que este tipo de livros nos têm habituados (narradoras femininas). Para além disto, gostei da originalidade das personagens, achei-as bem desenvolvidas e houve três, em particular, fora Ethan e Lena, que conquistaram um lugar de topo - Link, Macon e Amma.
Link é o melhor amigo de Ethan e o típico adolescente rapaz que vive para arranjar uma namorada. Ambos fazem parte da equipa de basquetebol da escola, o que os eleva logo em termos de estatuto. Uma personagem super engraçada e fiel, que nos conquista desde cedo.
Macon, tio da Lena, é uma personagem misteriosa, que fala por enigmas e que nunca ninguém em Gatlin o viu. O que ele é, é uma incógnita para Ethan.
E por fim, Amma. A super, hiper, protectora Amma. Amma é uma vidente que, em cada canto da casa de Ethan põe algo "anti-maléfico". Um saquinho disto, umas ervas daquilo e ai de Ethan que não obedeça às suas regras.

A própria caracterização da sociedade sulista está original. Desde a sociedade das FRA - conjunto de mulheres que se julgam superiores a tudo e a todos e que pensam que mandam na cidade - , à escola com a típica equipa de basquetebol feminino e as meninas da claque que são uma miniatura das FRA, enfim, um leque vastíssimo de características divertidas com que somos brindados ao longo da obra.

Criaturas Maravilhosas mostra-nos, assim, um universo que tem videntes, metamorfos, seres com algumas características vampíricas, Narutais, seres da Luz e das Trevas e ainda um pouco de cultura celta implícita. Um livro intenso, em que sorrimos e choramos com as personagens, ansiamos pelo que vai acontecer e ficamos sempre na expectativa de como irá acabar. O mistério mantém-se constante ao longo de quase todo o livro, o que é óptimo, não nos deixando largar a leitura. Viciante.
O fim, deixa-nos com um grande ponto de interrogação na mente e nisto tenho que concordar com a VOYA: "Este livro tem tudo... Quem poderia pedir mais? Uma sequela? Por favor!"
Gostei imenso e só posso ansiar pelo "Beautiful Darkness"!

Abraço!
Sofia Teixeira
publicado por Lena às 13:44 | link do post | comentar